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    April 19

    Uma reverência à Machado de Assis.

     

     

    059

     

    A importância de MACHADO DE ASSIS um século após sua morte.

     

     

    MOINHO-DE-VENTO

    Que o alquebrado Cavaleiro da Triste Figura lançou-se em luta vã contra velhas e desgastadas lâminas de moinhos-de-vento, revivendo glórias passadas, coisa é que consterna! O que não consternará, é se Joaquim Maria Machado de Assis vazar de entre as letras dos que se propõem ao concurso, promovido pela Academia Brasileira de Letras e Folha Dirigida, e, com a caneta crítica da realidade, e a tinta mordaz da História, destruir as carcomidas lâminas deste gigantesco moinho-de-vento brasileiro chamado educação escolar.

    Suposto o objetivo do concurso de redação com foco na “valorização do magistério e o fortalecimento da língua”, inclino-me ao afã continuado da estrutura educacional no sentido de efervescer o potencial Machadiano em cada um dos corações estudantes brasileiros.

    Ocorreu-me conotar o “homem-menino” Machadinho expurgando o pensar falacioso de que nossos jovens têm-se corrompido por um capricho do mundo moderno globalizado.

    Eia! Vamos à narrativa que nossa ventura há de se consumar!

     

     

    UM PIPAROTE

    Em uma manhã de um dia chuvoso, ouviram-se passos rápidos de um homem centenário; passos firmes, decididos, apesar da avançada idade; Quincas Borba trazia o sorriso largo de quem honra um compromisso há muito jurado; liquida uma promissória vencida. Precisava encontrar Dona Inês e fazê-la crer de sempre que a morte de Machadinho é uma realidade inconteste. As ruelas do morro do Livramento estavam sufocadas com a água que afluía pelas encostas procurando abrigo no leito do subsolo.

    Dona Maria Inês, uma senhora robusta, mulata, não denunciava no rosto e corpo o tempo já vivido; saíra cedo de casa quando foi surpreendida pela chuva e regressava. Seu guarda-chuva era arremetido ao chão de barro ensaboado e íngreme do morro na tentativa de superá-lo em força bruta. Ao vê-la em sua escalada, o centenário Quincas Borba ansiosamente tenta alargar o passo para, enfim, comunicar-lhe da morte de Machadinho.

    Todos do morro já se preparavam para as exéquias; o comunicado circulara de boca em boca. Dona Maria Inês não tinha mais como contestar; devia aceitar o que a providência já acertara há cem anos. – Mataram o Machadinho!

    Dona Maria Inês, olhar compungido, deixa-se molhar por lágrimas cálidas e pingos de chuva numa languidez já eternizada da fragilidade humana. Quincas dá-se por vencedor e espera, aturdido, num silêncio ensurdecedor... Sente-se como vencido na sua vitória...!

    -Acresce, - monologa Dona Maria Inês - haver no contrato Adâmico uma cláusula de resgate da dívida da vida humana; contudo, esse instrumento universal sofre, algumas vezes, uma injunção superior que ordena a sanção da supressão dessa; e o homem imortaliza-se, e a vida rega-se e renova-se... Bendita sanção!

    Elevando o olhar ao encanecido Quincas Borba, fixando-o, explode num misto de ternura e censura: - Isso é causa de suas inventivas malucas. O Sr. vive a rogar essa desgraça por tanto tempo... Que seria do Livramento não fosse o esforço, o empenho, a dedicação do Machadinho a ensinar adultos e crianças a ler e a escrever!? Não jure à razão, que esta é temperada por uma boa dose de sandice; a morte, pode ser que te acompanhe por todos os anos já vividos, mas ela é o berço da vida! Contenta-te em acreditar que o exemplo amigo de trabalhador docente transformará essa gente brasileira em povo liberto.

    O velho e cansado espírito do Quincas Borba senta-se desconsolado no barro molhado e, instintivamente, esculpe uma imagem. Quando pronta, olha-a e desdenha-a: assim o povo o quer; no que a imagem responde: - Não insistas nesse absurdo de minha morte ou dou-te um piparote, e adeus que nossa ventura há muito já começou.

    “Viva pois a história, a volúvel história que dá para tudo”.(Brás Cubas);

    João Ricardo Miranda.

    Vitória, 2008.

    April 05

    CRIANÇA 44

     

     

    Tom Rob Smith.

    Editora Record

    Rio de Janeiro – 2008

    Josef Stalin: secretário geral do partido comunista da união Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até sua morte em 1953.

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    O desprezível bigodudo acima retratado bem que passaria por um bom homem. Tem um olhar austero é certo. Mas quem não tem um pai, tio, avô que seja que não surpreendeu a você em um momento de brincadeira com alguns amigos e paralisou-o com aquele olhar aterrador? A pergunta que se impõe é se podemos ou devemos emitir juízo de valor ao caráter, a personalidade daquele que em uma moldura se nos apresenta ao olhar inocente e não nos ameaça e, portanto, aparentemente, não nos pode fazer mal? Quero dizer, você teria uma reação repulsiva diante de uma fotografia tão cândida, inofensiva, paternal mesmo quanto à de Josef Stalin ao alto se desconhecesse sua biografia?

    Número de vítimas

    Em 1991, com o colapso da União soviética, os arquivos do governo soviético finalmente foram revelados. Os relatórios do governo continham os seguintes registros:

    • Número de mortos
      • Executados: 800 mil
      • Fome e privações (gulags): 1,7 milhões
      • Reassentamentos forçados: 389 mil
        • Total: aproximadamente três milhões

    Entretanto os debates continuam alguns historiadores acreditam que relatórios soviéticos não são confiáveis. E de maneira geral apresentam dados incompletos, visto que algumas categorias de vitimas carecem de registros – como as vitimas das deportações ou a população alemã transferida ao fim da Segunda Guerra.

    Alguns historiadores acreditam que o número de vítimas da repressão estalinista não ultrapasse os quatro milhões; outros, porém, acreditam que esse número seja consideravelmente maior. O escritor russo Vadim Erlikman, por exemplo, fez as seguintes estimativas:

    • Número de mortos
      • Executados: 1,5 milhão
      • Fome e privações (gulags): cinco milhões
      • Deportados: 1,7 milhão
      • Prisioneiros civis: um milhão
        • Total: aproximadamente nove milhões

    Os estudos continuam e alguns pesquisadores, como Robert Conquest acreditam em cerca de vinte milhões de vítimas.

    - http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalin

    Suponho que não, contudo o megalomaníaco bigodudo gostava de morte por atacado. Para se ter uma idéia da barbárie Stalinista, estima-se que durante a Segunda Guerra Mundial o numero oficial de mortos está entre 50 e 60 milhões de pessoas. Seu regime contabilizou, acredita-se, cerca de 20 milhões.

    O jovem corrompido e corrompedor Tom Rob Smith cônscio de que um bom material visual é a chave para o consumo impulsivo, elabora apelativamente bem a arte gráfica- também o conteúdo - nesse romance de estréia.Explora um exemplo patético do que dizíamos acima. Olhando sua fotografia, apensa a contracapa do livro Criança 44, já estimulados pela chamada visual,um extremado apelo, resignamos-nos aceitar fazer a leitura das suas 431 páginas. O conjunto emoldurado, a princípio, nos envolve, acolhe,e quando nos damos conta já estamos comprometidos com essa cortina enevoada de uma criança morta sob os trilhos da política de segurança de Stálin. Acreditamos, a princípio, que o maroto livro tenta ressaltar a brutalidade de um sistema apoiado na retórica de um bigodudo contaminado por poderes de super-herói através de uma correlação infância inocente versus  Estado político repressor personificado em Stálin. É pau, nojento, doentio, ainda que não estejamos considerando o lado politico-social da coisa, ou seja, Stalin é fruto de uma revolução proletária... Que o “paz e amor” não nos leia! Nenhuma experiência temos nesse campo. Nenhuma! Claro, nosso passado – nem mesmo Canudos – não é revolucionário como muitos agradecem à Deus, é golpista aventureiro numa eterna perpetuação burguesa. Outros tantos agradecem à Deus!... E as eleições democráticas de 2000? Enfim, um trabalhador sindicalizado e aclamado pelo povo, assim como Stálin, subiu a rampa do Planalto; todos ficamos felizes, tanto que o reelegemos... Você deve estar se torturando e perguntando: o que tudo isso de “paz e amor” tem haver com o romance? Claro, é verdade; voltemos ao Stalin, voltemos a Tom Rob Smith o pervertido que teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pelo cineasta Ridley Scott que produziu, entre outras pérolas do cinema, o Gladiador: aquele trabalhador que é usado pelo império como lutador de arena. E o povo vai ao delírio, é mole?... Ainda bem que o pervertido do Tom é magro e é burguês e é Inglês de olhos verdes – não azuis - daquela mesma Inglaterra da Revolução Industrial, da...

    Não nos iludamos. Assim como a foto de Stálin não nos revela o seu lado humano apocalíptico, assim criança 44 só apresentará sua qualidade inferior de escola pública quando você desembolsar reais em busca de cultura e divertimento e perceber que o conteúdo é piegas e sem coesão contextual: Liev é metamorfoseado conforme a circunstância de conveniência do narrador. Leia-se a perseguição a Bródski. Apresenta-se como profissional experiente de guerra, decidido, maduro. Agora leia-o perseguido e lidando com a esposa e verá um menino assustado que depois de anos trabalhando para o Estado descobre que tudo é mentira e sente-se mal por isso como se a culpa fosse dele. A narrativa é lenta em função do jogo ambíguo de formulações morais que rege todo o aspecto ficcional; leia-se esse diálogo:

    - Não denunciei você não por acreditar que estivesse grávida (Raíssa), nem por eu ser bom. Foi porque a família é a única coisa na minha vida da qual não me envergonho.

    -Porque essa revelação da noite para o dia? Parece sem valor. Depois de perder o uniforme, o escritório, o poder, você agora tem que acertar as coisas comigo (Raíssa). Será que é isso? Uma coisa que nunca teve importância para você, a nossa vida, ficou importante porque foi só o que sobrou?

    E olhem a besteira dita por Raíssa:

    -Casei com você com medo de ser presa por rejeitá-lo. Talvez não fosse presa imediatamente, mas uma hora seria, por algum pretexto. Eu era jovem, Liev, e você poderoso. Foi por isso que nos casamos... Você nunca me bateu, nem gritou comigo, nunca se embriagou. – no Brasil esse cara seria disputado aos empurrões- Então, pensando bem, eu achava que tinha mais sorte que a maioria das mulheres.

    A utilização do pretérito por Raíssa salienta uma decisão passada mas que agora não se justifica já que o babaca do Liev ficou desempregado... e ainda vem falar que ele nunca levou a vida do casal a sério? Matem essa mulher!, não, melhor, não inicie a leitura desse livro.

    João Ricardo Miranda

    January 24

    RACHEL: O DRAMA HUMANO EM O QUINZE

     

    Rachel de Queiroz

    Editora José Olympio

    77ª Edição - Rio de Janeiro

    Rachel de Queiroz... Cearense por nascimento, carioca por escolha. Dividiu seu tempo entre um e outro estado; trabalhou ininterruptamente criando personagens rurais e urbanos fortes como seu texto, sua vida, suas convicções político-sociais; um estilo inconfundível, que a premiou com a Academia Brasileira de Letras. O Quinze, primeiro romance da autora integrado à ficção regionalista nordestina, retrata brilhantemente essa característica - própria mesma do movimento realista da última metade do séc.. XIX - em que o aspecto sociológico, bem mais que o psicológico, determina, condiciona o comportamento:

    "Cordulina assustou-se:

    - Chico, que é que se come amanhã?

    A generosidade matuta que vem na massa do sangue, e florescia no altruísmo singelo do vaqueiro, não se perturbou:

    -Sei lá! Deus ajuda! “Eu é que não havera de deixar esses desgraçados roerem osso podre.”

    Talvez a própria Rachel, comunista por princípio, num mundo que virava de ponta à cabeça com a Revolução Bolchevique de 1917, deixa-se surpreender em seus personagens com a velha utópica idéia de conciliação entre os agentes de produção capitalista,... Um possível "acordo" proletário-burguês, mais que acordo, humanidade cristã.

    O ano é 1930. Vargas assume, através de um golpe, o governo federal do Estado Novo. O Brasil vive um momento ímpar de "destruição" - no dizer de Mário de Andrade - mais que construção com a Semana de Arte Moderna. Há uma busca ávida do "homem brasileiro", da identidade brasileira. É o Brasil tentando se redescobrir em sua identidade. À parte os exageros dos adeptos ufanistas, constrói-se uma literatura engajada em que o social desponta com força de personagem.

    No romance O Quinze, Rachel constrói duas seqüencias narrativas paralelas: Chico Bento, retirante da seca, expulso da terra, compõe o social da trama;... Conceição, que recusa o amor de Vicente, esterilizada na terra ardente do sertão, compõe o psicológico. Segue-se um estilo rigoroso, enxuto, conciso, fragmentário a cinema e que se basta: ...” Vicente marchava através da estrada vermelha e pedregosa, orlada pela galharia negra da caatinga morta. Os cascos do animal pareciam tirar fogo nos seixos do caminho. Lagartixas davam carreirinhas intermitentes por cima das folhas secas no chão que estalavam como papel queimado.” Chega-se ao fim do romance: "forte" como o personagem, cônscio e desejoso de mais leitura, de mais Rachel,... Fica-se socialmente mais crítico, e anseia-se por mudanças sociais,... Políticas! Por outro, a ternura, a comunhão, a partilha do pão nos convida a sermos solidários,... Humanos!

    Enfim, e tentando não ser repetitivo ao que já foi dito e publicado, não esqueçamos, atentemos para a capacidade inerente de seus textos em produzir imagens.

    "Só a Maria, a preta velha da cozinha, irrompeu pelo corredor, acocorou-se a um canto e engulhando lágrimas e mastigando rezas resmungava:

    - O inverno! Senhor São José, o inverno! Benza-o Deus!"

    Vitória, 20 de janeiro do ano de 2009.

    João Ricardo A de Miranda

    January 15

    O poder das palavras

     

    A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS.

     

     

    morte

    MARKUS ZUSAK

     

    A menina que roubava livros é, sem dúvida, um romance inovador na forma, na maneira de comunicar, na moldura grossa de um cinza escuro sem luar; de um estilo que prende a respiração por medo ou dor. A "Morte", narradora, transborda o texto, convida á leitura... Muito apropriado a conduzir o leitor por caminhos tortuosos.

    Do susto inicial, dá-se a conhecer uma menina abandonada pela mãe, pesarosa do irmão morto estendido na neve.

    Primeiro furto.

    Um personagem judeu introduzido na trama, fugindo á perseguição nazista, aterrissa no porão da casa da nova família da menina. O horror do holocausto é exposto com excessivo sentimentalismo... Um melodrama. Aliás, esta é a tônica do romance.

    Seqüência de furtos.

    Por fim, o bombardeio sobre a cidade, a rua, e a morte dos personagens, á exceção da menina que resiste heroicamente após ter sido soterrada segurando um livro; e o rapaz judeu, que reaparecerá no final da história já casado com liesel.

    Em toda a narrativa manifesta-se o poder da força das palavras àqueles que as usam. De forma explícita joga-se com o maniqueísmo simplório entre bom e mau: O Fuhrer e suas palavras - Minha luta - com discurso de mortandade, em especial aos judeus. Por outro, a menina que roubava livros transformando-o em ação pela vida.

    Enfim, um romance medíocre, de conteúdo pobre. Apresenta-se garbo, gigante, vestido de um escuro chocolate e pintado de um episódio insano - entre tantos da história humana- NAZISMO. Desta pleonástica união despontam personagens fracos, instáveis, sentimentais, apoiados na força da história e nos personagens históricos que lhes conferem melhor talho. O leitor, seduzido pela força da narradora, alimenta a esperança de que irão explodir, amadurecer, criar projeção para além da que lhes confere á morte. Mas não é isso o que acontece. Queda-se prostrado diante de uma menina a segurar ás mãos os pais mortos numa rua imunda de escombros de guerra a chorar, a pedir o acordeão que tantas vezes seu pai tocara, como se o mesmo pudesse devolvê-los á vida.

    Chega-se, então, ao fim do romance desgastado e aturdido, pois, só neste momento, o leitor dá-se conta que ficou com uma batata quente ás mãos: A existência humana vale a pena?

    December 02

    UMA EXPERIÊNCIA DE OUTRO MUNDO...

       

       

       

      O grupo formador do "CANTO SOLIDÁRIO" fez apresentação ontem dia 01 de Dezembro de 2008 no Teatro Carlos Gomes. O espetáculo"sempre Bossa", com rico repertório da música popular  brasileira, era aguardado com ansiedade . É interessante saber que toda arrecadação, que teve apoio da Secretaria de saúde do Estado do Espírito Santo - coordenação estadual de DST e AIDS, foi revertida à casa Sagrada Família com o mote: "não cruze os braços para a dor da AIDS".

      O espetáculo, marcado para iniciar às 20 horas, teve início com uma hora de atraso; considerado o palavreado dos patrocinadores bem como a pregação de Pastor com direito  a exposição de filme. Tudo em favor do mote. Ficamos solidários à causa afinal descruzar os braços soa como auxílio solidário: médicos, comidas, remédios etc. Caimos então no ritmo da Bossa Nova; Elaine Rowvena, sempre sorridente, cantou os sucessos de Ronaldo Bôscoli, Tom Jobim, Vinícius de Morais... E eis que de repente o palco é tomado por desfile de coleção Verão-Praia. Santo Padre! cada mulher! Bem, enfim vamos ouvir música, quero música, Respeitem meu direito de ouvir música.

      O Coral Arcelor Mittal fez-nos uma curta apresentação deixando-nos com um dedinho de saudade. Elaine Rowvena então nos brinda com uma imitação infantil, fazendo-nos um momento de descontração

      Agora que já se faz hora de irmos embora, Elaine Rowvena sugere dar-mos às mãos sob o pretexto de que naquele momento "um terremoto" abalaria nossas vidas... Acho que tinha razão, afinal Bossa Nova e religião se repelem mutuamente.

      Credo! só quero ouvir música.

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    November 30

    EU LI MACHADO DE ASSIS

    7s1

       
         
     
    Toda leitura faz-se necessária!

    Lendo um  jornal de renome, ou mesmo um periódico especializado em venda de celular, deve-se sempre  considerar a importância da informação lida para  ajudar a compor a imagem da realidade.

    Assim pensando, sempre assim pensando, aventurei-me numa leitura tida por muitos "difícil" e entoada como essencial, principalmente na formação acadêmica. Cobiçava compor meu mural informativo, ampliar a paisagem do conhecimento e, acima de tudo, e por tudo, refestelar-me com esta arte nobre da cultura humana - literatura. De tal arte, dei-me voluntariamente as páginas de Quincas Borba; romance escrito em 1891 dez anos após Machado de Assis ser ovacionado pela crítica com seu maior , ao menos na minha opinião, sucesso literário: Memórias Póstuma de Brás Cubas. Creio, e não sei até que ponto fui influenciado pela primeira, um colchão de reflexões, que exigi da segunda  uma obra no mínimo irretocável; bem, não foi exatamente isto o que aconteceu. Em Quincas Borba, a história é acanhada, tímida mesma: Rubião, após a morte de Quincas Borba -personagem já aparentado em Brás Cubas- de quem herdou a fortuna e informes de uma nova filosofia - Humanitismo - muda-se para a corte - Rio de Janeiro- convivendo com o casal Cristiano e Sofia. por esta se apaixonando. Neste ponto, Machado escancara todo seu poder irônico fazendo-nos rir das desventuras românticas de nosso herói e que, por detrás deste verniz, explora a ambição do interesse das relaçoes humanas, assunto já apropiadamente abordado em Brás Cubas.

    Então, por que ler Quincas Borba?

    Talvez esperemos uma nova revelação. Talvez Machado, numa nova empreitada, nos revele um novo conceito, uma nova idéia. Isso não acontece. Ao contrário, Machado faz-se Machado de Assis e é aí que faz sentido lê-lo. O primeiro capítulo nos mostra Rubião com seus pensamentos de riqueza a contemplar o mar e sua casa, o que foi e o que é para, logo em sequida, mostrar-nos sua morte em Barbacena. Seque-se a morte de Quincas Borba narrada em capítuloà parte. Nesse momento você, leitor que por vezes sequida tentou antecipar os capítulos, se deparará com o autor Machado de Assis que lhe dirá: "é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá título ao livro, e por que antes um que o outro, -questão prenhe de questões, que nos levariam longe..."

    Então, quando olhares os destroços de uma querra, não condenes o homem, condene-se a sí mesmo, a querra foi produzida e planejada, e, você... "Aos vencedore as batata.." - Machado de Assis.