João Ricardo's profileEspaço de RicardoPhotosBlogListsMore ![]() | Help |
|
April 19 Uma reverência à Machado de Assis.
A importância de MACHADO DE ASSIS um século após sua morte.
MOINHO-DE-VENTOQue o alquebrado Cavaleiro da Triste Figura lançou-se em luta vã contra velhas e desgastadas lâminas de moinhos-de-vento, revivendo glórias passadas, coisa é que consterna! O que não consternará, é se Joaquim Maria Machado de Assis vazar de entre as letras dos que se propõem ao concurso, promovido pela Academia Brasileira de Letras e Folha Dirigida, e, com a caneta crítica da realidade, e a tinta mordaz da História, destruir as carcomidas lâminas deste gigantesco moinho-de-vento brasileiro chamado educação escolar. Suposto o objetivo do concurso de redação com foco na “valorização do magistério e o fortalecimento da língua”, inclino-me ao afã continuado da estrutura educacional no sentido de efervescer o potencial Machadiano em cada um dos corações estudantes brasileiros. Ocorreu-me conotar o “homem-menino” Machadinho expurgando o pensar falacioso de que nossos jovens têm-se corrompido por um capricho do mundo moderno globalizado. Eia! Vamos à narrativa que nossa ventura há de se consumar!
UM PIPAROTE Em uma manhã de um dia chuvoso, ouviram-se passos rápidos de um homem centenário; passos firmes, decididos, apesar da avançada idade; Quincas Borba trazia o sorriso largo de quem honra um compromisso há muito jurado; liquida uma promissória vencida. Precisava encontrar Dona Inês e fazê-la crer de sempre que a morte de Machadinho é uma realidade inconteste. As ruelas do morro do Livramento estavam sufocadas com a água que afluía pelas encostas procurando abrigo no leito do subsolo. Dona Maria Inês, uma senhora robusta, mulata, não denunciava no rosto e corpo o tempo já vivido; saíra cedo de casa quando foi surpreendida pela chuva e regressava. Seu guarda-chuva era arremetido ao chão de barro ensaboado e íngreme do morro na tentativa de superá-lo em força bruta. Ao vê-la em sua escalada, o centenário Quincas Borba ansiosamente tenta alargar o passo para, enfim, comunicar-lhe da morte de Machadinho. Todos do morro já se preparavam para as exéquias; o comunicado circulara de boca em boca. Dona Maria Inês não tinha mais como contestar; devia aceitar o que a providência já acertara há cem anos. – Mataram o Machadinho! Dona Maria Inês, olhar compungido, deixa-se molhar por lágrimas cálidas e pingos de chuva numa languidez já eternizada da fragilidade humana. Quincas dá-se por vencedor e espera, aturdido, num silêncio ensurdecedor... Sente-se como vencido na sua vitória...! -Acresce, - monologa Dona Maria Inês - haver no contrato Adâmico uma cláusula de resgate da dívida da vida humana; contudo, esse instrumento universal sofre, algumas vezes, uma injunção superior que ordena a sanção da supressão dessa; e o homem imortaliza-se, e a vida rega-se e renova-se... Bendita sanção! Elevando o olhar ao encanecido Quincas Borba, fixando-o, explode num misto de ternura e censura: - Isso é causa de suas inventivas malucas. O Sr. vive a rogar essa desgraça por tanto tempo... Que seria do Livramento não fosse o esforço, o empenho, a dedicação do Machadinho a ensinar adultos e crianças a ler e a escrever!? Não jure à razão, que esta é temperada por uma boa dose de sandice; a morte, pode ser que te acompanhe por todos os anos já vividos, mas ela é o berço da vida! Contenta-te em acreditar que o exemplo amigo de trabalhador docente transformará essa gente brasileira em povo liberto. O velho e cansado espírito do Quincas Borba senta-se desconsolado no barro molhado e, instintivamente, esculpe uma imagem. Quando pronta, olha-a e desdenha-a: assim o povo o quer; no que a imagem responde: - Não insistas nesse absurdo de minha morte ou dou-te um piparote, e adeus que nossa ventura há muito já começou. “Viva pois a história, a volúvel história que dá para tudo”.(Brás Cubas);
João Ricardo Miranda. Vitória, 2008. April 05 CRIANÇA 44
Tom Rob Smith. Editora Record Rio de Janeiro – 2008 Josef Stalin: secretário geral do partido comunista da união Soviética e do Comitê Central a partir de 1922 até sua morte em 1953. O desprezível bigodudo acima retratado bem que passaria por um bom homem. Tem um olhar austero é certo. Mas quem não tem um pai, tio, avô que seja que não surpreendeu a você em um momento de brincadeira com alguns amigos e paralisou-o com aquele olhar aterrador? A pergunta que se impõe é se podemos ou devemos emitir juízo de valor ao caráter, a personalidade daquele que em uma moldura se nos apresenta ao olhar inocente e não nos ameaça e, portanto, aparentemente, não nos pode fazer mal? Quero dizer, você teria uma reação repulsiva diante de uma fotografia tão cândida, inofensiva, paternal mesmo quanto à de Josef Stalin ao alto se desconhecesse sua biografia? Número de vítimas Em 1991, com o colapso da União soviética, os arquivos do governo soviético finalmente foram revelados. Os relatórios do governo continham os seguintes registros:
Entretanto os debates continuam alguns historiadores acreditam que relatórios soviéticos não são confiáveis. E de maneira geral apresentam dados incompletos, visto que algumas categorias de vitimas carecem de registros – como as vitimas das deportações ou a população alemã transferida ao fim da Segunda Guerra. Alguns historiadores acreditam que o número de vítimas da repressão estalinista não ultrapasse os quatro milhões; outros, porém, acreditam que esse número seja consideravelmente maior. O escritor russo Vadim Erlikman, por exemplo, fez as seguintes estimativas:
Os estudos continuam e alguns pesquisadores, como Robert Conquest acreditam em cerca de vinte milhões de vítimas. - http://pt.wikipedia.org/wiki/Stalin Suponho que não, contudo o megalomaníaco bigodudo gostava de morte por atacado. Para se ter uma idéia da barbárie Stalinista, estima-se que durante a Segunda Guerra Mundial o numero oficial de mortos está entre 50 e 60 milhões de pessoas. Seu regime contabilizou, acredita-se, cerca de 20 milhões. O jovem corrompido e corrompedor Tom Rob Smith cônscio de que um bom material visual é a chave para o consumo impulsivo, elabora apelativamente bem a arte gráfica- também o conteúdo - nesse romance de estréia.Explora um exemplo patético do que dizíamos acima. Olhando sua fotografia, apensa a contracapa do livro Criança 44, já estimulados pela chamada visual,um extremado apelo, resignamos-nos aceitar fazer a leitura das suas 431 páginas. O conjunto emoldurado, a princípio, nos envolve, acolhe,e quando nos damos conta já estamos comprometidos com essa cortina enevoada de uma criança morta sob os trilhos da política de segurança de Stálin. Acreditamos, a princípio, que o maroto livro tenta ressaltar a brutalidade de um sistema apoiado na retórica de um bigodudo contaminado por poderes de super-herói através de uma correlação infância inocente versus Estado político repressor personificado em Stálin. É pau, nojento, doentio, ainda que não estejamos considerando o lado politico-social da coisa, ou seja, Stalin é fruto de uma revolução proletária... Que o “paz e amor” não nos leia! Nenhuma experiência temos nesse campo. Nenhuma! Claro, nosso passado – nem mesmo Canudos – não é revolucionário como muitos agradecem à Deus, é golpista aventureiro numa eterna perpetuação burguesa. Outros tantos agradecem à Deus!... E as eleições democráticas de 2000? Enfim, um trabalhador sindicalizado e aclamado pelo povo, assim como Stálin, subiu a rampa do Planalto; todos ficamos felizes, tanto que o reelegemos... Você deve estar se torturando e perguntando: o que tudo isso de “paz e amor” tem haver com o romance? Claro, é verdade; voltemos ao Stalin, voltemos a Tom Rob Smith o pervertido que teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pelo cineasta Ridley Scott que produziu, entre outras pérolas do cinema, o Gladiador: aquele trabalhador que é usado pelo império como lutador de arena. E o povo vai ao delírio, é mole?... Ainda bem que o pervertido do Tom é magro e é burguês e é Inglês de olhos verdes – não azuis - daquela mesma Inglaterra da Revolução Industrial, da... Não nos iludamos. Assim como a foto de Stálin não nos revela o seu lado humano apocalíptico, assim criança 44 só apresentará sua qualidade inferior de escola pública quando você desembolsar reais em busca de cultura e divertimento e perceber que o conteúdo é piegas e sem coesão contextual: Liev é metamorfoseado conforme a circunstância de conveniência do narrador. Leia-se a perseguição a Bródski. Apresenta-se como profissional experiente de guerra, decidido, maduro. Agora leia-o perseguido e lidando com a esposa e verá um menino assustado que depois de anos trabalhando para o Estado descobre que tudo é mentira e sente-se mal por isso como se a culpa fosse dele. A narrativa é lenta em função do jogo ambíguo de formulações morais que rege todo o aspecto ficcional; leia-se esse diálogo: - Não denunciei você não por acreditar que estivesse grávida (Raíssa), nem por eu ser bom. Foi porque a família é a única coisa na minha vida da qual não me envergonho. -Porque essa revelação da noite para o dia? Parece sem valor. Depois de perder o uniforme, o escritório, o poder, você agora tem que acertar as coisas comigo (Raíssa). Será que é isso? Uma coisa que nunca teve importância para você, a nossa vida, ficou importante porque foi só o que sobrou? E olhem a besteira dita por Raíssa: -Casei com você com medo de ser presa por rejeitá-lo. Talvez não fosse presa imediatamente, mas uma hora seria, por algum pretexto. Eu era jovem, Liev, e você poderoso. Foi por isso que nos casamos... Você nunca me bateu, nem gritou comigo, nunca se embriagou. – no Brasil esse cara seria disputado aos empurrões- Então, pensando bem, eu achava que tinha mais sorte que a maioria das mulheres. A utilização do pretérito por Raíssa salienta uma decisão passada mas que agora não se justifica já que o babaca do Liev ficou desempregado... e ainda vem falar que ele nunca levou a vida do casal a sério? Matem essa mulher!, não, melhor, não inicie a leitura desse livro. João Ricardo Miranda |
|
|